Mas afinal, o que é esse tal de propósito que andam falando por aí?



31 julho, 2019
Autoconhecimento

Martin Selingman, um dos pioneiros da psicologia positiva, diz que a felicidade plena é basicamente um conjunto de cinco elementos: realizações, engajamento, relacionamentos positivos, emoções positivas e… propósito! Sendo que realizações e engajamento estão diretamente ligados ao propósito.

Daniel Pink, referência mundial de gestão e comportamento, professor de Harvard e consultor da Casa Branca, elenca o propósito como um dos cinco motivadores da vida e do trabalho de qualquer ser humano. Dos outros quatro, dois também estão diretamente ligados ao propósito.

Nosso querido professor Mário Sérgio Cortella em Qual é a tua obra, diz que propósito é a palavra que questiona e reconduz o nosso núcleo da existência. E no seu livro Viver em Paz para Morrer em Paz, ele faz uma pergunta das mais importantes, que tem a ver com nosso tema aqui: se você não existisse, que falta faria?

A maravilhosa professora Lúcia Helena Galvão fala de propósito como vida interior.

Marcelo Cardoso, um cara que eu admiro muito, diz que o propósito serve pra nossa alma não morrer flácida. Acho lindo isso.

Rudolf Steiner, educador, fundador da antroposofia e da pedagogia Waldorf, divide a vida em setênios, e chegou a dizer que o setênio dos 35 aos 42 anos é aquele em que observamos o que ele chamou de crise de propósito…

Clóvis de Barros Filho faz uma linda metáfora dizendo que o propósito é a semente. Cada um de nós tem uma, e ela é diferente. Se sou semente de laranja, darei laranja. Isso se for plantada, regada, adequamente. Nunca vou dar jabuticaba.

Outro dia, estava palestrando num evento em São Paulo de filosofia, autoconhecimento e inovação e uma pessoa me perguntou se eu não achava que esse lance de propósito estava na moda demais… eu disse que sim, que está na moda desde Platão, que tinha como pergunta rotineira famosa: “quem é você?”.

Tem alguns anos que eu estou nesse caminho de me reinventar, tive a tal crise de propósito e quem me conhece sabe da minha história… mas o fato é que eu tenho visto muitas confusões, muitos ruídos… então eu queria já dizer o que não é esse tal de propósito.

Propósito não é autopromoção. Você não tem que ter propósito porque é bonitinho, porque vai vender mais o que está vendendo… apesar de que temos visto muito desse discurso por aí também, até títulos de livros aos montes…

Propósito não é autossatisfação. O seu propósito não é seu. Ou pelo menos não só seu… Ele é para o mundo, é o seu servir, é o seu fazer melhor para os seres (humanos e não humanos) que dividem o mesmo tempo-espaço que você.

Propósito não é chamado. Não é uma ilusão mágica de que alguém ou algo vai descer e vai te dizer o que fazer, qual é o seu.

Propósito não é meta. Que a gente precisa ter – que fique claro –  mas não é. Comprar um carro, mudar de apartamento, cursar uma faculdade… tudo isso é meta, não propósito.

Não é objetivo de vida. Mudar pra praia, ter uma família grande…

Não é filosofia de vida. Não fazer mal a ninguém, viver um dia de cada vez…

Propósito, pra mim, tem a ver em entregar seus melhores e mais essenciais talentos, competências, dons e habilidades para gerar valores para o mundo que são caros para você em primeiro lugar.

Sim, quando pensamos em um trabalho com propósito, pensamos na troca de valores com o mundo. Colocamos preço nisso, e colocamos nomes e descrições de cargos, detalhamento de funções. Mas o propósito é troca de valor. E aí temos que descobrir, antes de tudo, que valores são esses que quero trocar com o mundo. Nosso dilema começa aí. Porque não temos repertório, porque nos falta autoconhecimento pra perceber, entender e nomear o que é mais valoroso pra mim. Não para minha família, não para meus pais, não para a sociedade. Mas pra mim. O meu propósito começa em mim, no que é importante e valoroso pra mim.

Só que os valores são apenas uma parte dessa equação. A outra tem a ver com seus talentos… A analogia que o Clóvis faz que contei lá no início.

O que você faz bem, de um jeito só seu, especial, que curte fazer, e que mais de uma pessoa já reconheceu, já deu um feedback sobre?

Por diversas razões – que darão outros posts muito em breve – fomos educados a sermos modestos, pequenos, não “chamar muita atenção”. E daí crescemos e esbarramos com essa dificuldade de nomear nossos próprios talentos, de nos apoderar deles.

Por fim, propósito tem a ver com paixão e morte. Tem que ter uma certa dose de estado de demência temporária pra se jogar muitas vezes em uma atividade, empreendimento ou trabalho que ninguém mais se jogaria, mas que faz sentido pra você…

E tem a ver com a morte porque tem a ver com legado. Sua marca no mundo, sua obra, sua pegada. Como você será reconhecido pelo seu servir, pelas pessoas que viveram no mesmo tempo-espaço que você. O que vai sobrar, pra alma não morrer flácida.

Não se preocupe em correr com essa reflexão. Mas não deixe de fazê-la, esteja você em que fase de vida estiver. Não pare sua vida totalmente para repensar seu propósito, porque isso pode ser desastroso, você pode se frustrar. Vá desvendando esse mistério, descascando essa cebola, enquanto vive e trabalha. Vá puxando os fios, se engajando em projetos que lhe são interessantes, conversando com pessoas diferentes, estudando temas que até então você não estudava porque “não tinham a ver com o seu trabalho”. Abrindo as janelas para que o mofo da necessidade da sobrevivência que está bem aí dentro de você possa dar lugar à sua essência, à sua melhor versão.

 

Luciana Gallo é co-fundadora da Amadoria, facilitadora de processos colaborativos, de desenvolvimento pessoal, e de mudança organizacional. Mentora e palestrante, ajuda as pessoas a (re)significarem suas vidas e trabalhos. Atua na expansão do conhecimento e da consciência da pessoa e do profissional dentro das organizações.




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