O Blues (também) é luta



3 junho, 2020
Arte

É incorreto definirmos o blues como um simples estilo musical criado nos Estados Unidos no fim do século XIX. Isso porque sua origem traz uma história de muito sofrimento, problemas sociais e até mesmo pactos com demônios em encruzilhadas.

Criado por escravos afro-americanos, ele teve sua origem no Delta do Rio Mississipi, mais especificamente nas grandes fazendas e lavouras de algodão e tabaco, ficando marcado por canções que davam ritmo ao trabalho. Essas canções foram criadas inicialmente pelas batidas das enxadas e expressavam um tom melancólico e deprimente, que ficou marcado como principal característica desse gênero musical.

Uma curiosidade interessante sobre as primeiras composições de blues: seus autores sempre costumavam se referir a uma ‘’mulher’’ que havia roubado seu coração e levado todo o seu dinheiro, mas na verdade tais ‘’mulheres’’ nada mais eram do que seus patrões (senhores) que os batiam e maltratavam, não permitindo qualquer tipo de diversão ou liberdade para se expressarem.

Com raízes em uma rica cultura africana, marcada pela música folclórica e muito ritmo, teve seu principal crescimento com a abolição da escravidão nos EUA, no ano de 1863, o que acabou possibilitando que os negros e trabalhadores do campo tivessem acesso a instrumentos musicais de qualidade.

Robert Johson (1911-1938) foi um dos seus principais autores. Músico que ficou conhecido pelo seu compasso de 12 tempos, e por ter vendido sua alma ao demônio!… Fato é que Johnson teve uma vida breve, criou cerca de 30 canções e acredita-se que morreu envenenado ao tomar um uísque do marido enciumado de uma de suas amantes.

Um dos gêneros musicais de maior importância na história, não só por esse aspecto de luta social, mas também por ser responsável por influenciar e até nortear diversos outros estilos, como o Rock’n Roll.

Nomes como The Rolling Stones, Bob Dylan, Eric Clapton e até mesmo The Beatles já gravaram e produziram releituras de canções clássicas do blues, que teve como principais representantes nomes como Muddy Waters, BB King, Sonny Boy, Mammie Smith, Little Water, dentre outros.

Apesar da sua longa história de criação, permanece latente e se aprimora e influencia não só outros estilos, mas também ideologias e formas de expressões. É o ritmo que deu voz aos oprimidos e a todo momento ainda podemos senti-lo nas canções, nas manifestações contra a segregação racial, contra o desemprego ou a injustiça social.

Enfim, o blues não é só música… é luta, é dor, é cor. Uma forma de expressão e manifestação que, mesmo depois de décadas de evolução, se encontra tão presente e acesa em todos os cantos e sociedades.   

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Rafael Freitas é produtor e curador musical na Amadoria, advogado do entretenimento, gaitista amador e amante do Blues.

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