Encerrando Ciclos



3 novembro, 2020
Autoconhecimento

Não é de hoje que tenho dificuldades com isso. Entre saber e fazer, penso que ainda preciso de muito tempo.

 

Surge um apego e vou me agarrando a qualquer pequena esperança de ressuscitar o que não funciona mais, mas que eu queria (e como queria) que funcionasse. O que poderia ter sido, o que poderia ser diferente, mas não é. Como uma criança que quer de volta o brinquedo que quebrou, achando que vai voltar a funcionar. Não vai.

 

Fato é que quanto antes conseguimos encerrar um ciclo, maior a chance de abrirmos outro, e quem sabe até melhor… Nada deve permanecer por apego.

 

Encerrar é fechar o que já está acabado. É contabilizar a perda. É entender que se você tentou e não aconteceu, valeu. Infelizmente nem tudo é exatamente como a gente quer.

 

Encerrar não é perder… a perda já aconteceu. É aceitar. A verdade pode ser dura, mas é também libertadora. Romper dói. Só que muitas vezes não romper também é sofrido. A dor passa depois de um certo tempo. Mas o sofrimento pode permanecer em frustrações contínuas.

 

Por que será que temos tanta dificuldade em dar um golpe de misericórdia na agonia de manter coisas (e pessoas) por perto, mesmo sabendo que não fazem mais sentido? Nesses casos, o que há para perder que já não está perdido? Resposta: a chance de ganhar o novo, de começar um novo ciclo.

 

Sim, talvez haja um vazio entre esses dois momentos. E daí? O que de tão grave pode trazer esse vazio? E por achar que há de ser ruim? E por que apenas não entender que é apenas um momento, uma passagem?

 

Sempre gostei do ditado de que a vida se dá a quem se dá para vida. A vida sorri pra quem tem coragem, pra quem abre o peito e deixa vir. Pra quem banca as perdas. Tem horas que temos que entender (e confiar) que a instabilidade faz parte, e que porto seguro seguro deve ser um lugar dentro de mim.

 

É preciso acreditar na abundância da vida, do amor, do afeto ou do que estejamos em busca.

 

O término de um ciclo desperta uma dor intensa em mim.  Que estou aprendendo a amenizar e a transformar em gratidão. Sim, estou aprendendo a desapegar do apego. Já percebi que o próprio sofrimento é um apego.

 

Chega de roupa que não gosto no armário. Chega de coisas e pessoas que não agregam. Chega de quinquilharia na vida. Chega de gás carbônico no pulmão. Expira, esvazia, da espaço para entrar mais oxigênio.

 

A vida pode ser uma nova página a cada dia. Podemos mudar a história, o rumo, a trama. Basta saber usar o ponto final, virar a página e começar a escrever no tom que quero. Talvez olhar um pouco a página em branco para sentir com o que ela deve ser preenchida.

 

“Cada ser carrega em si o dom de ser capaz e ser feliz”. E esse dom inclui saber a hora de deixar algo ir.

 

______________________________

 

PATA

Patricia Giglio, a Pata, é um conjunto de arranjos e combinações às vezes contraditório: uma esportista, ativa e instrutora de yoga . Consultora e facilitadora de processos de autoconhecimento, ajuda a desenvolver pessoas e equipes para que possam “empreender-se” melhor e serem mais inteiros e conectados consigo, com os outros e com o mundo.

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