Mundo conectado, humanos desconectados



11 maio, 2020
Autoconhecimento

“As pessoas vivem vidas cada vez mais solitárias num planeta cada vez mais conectado. Muitas rupturas sociais e políticas de nossa época podem ser atribuídas a esse mal-estar.” Yuval Harari

A sensação que dá é a de que a internet das coisas, é o modus operandi da maioria dos seres humanos nas diversas redes de conexão disponíveis. Estamos ligados uns aos outros, tal como as coisas se conectam, mas não como humanos que somos, com as habilidades e formas que temos de nos conectarmos verdadeiramente.

Tenho conversado bastante com meu círculo de humanos sobre o fato de que, embora tenhamos cada vez mais formas para nos conectarmos, estamos vivendo cada vez menos conectados. Muito desconectados de nós mesmos e dos outros.  Há uma surdez emocional muito grande. 

As pessoas não estão conseguindo escutar e muito menos dar voz ao seu espaço interno, não conseguem perceber seus próprios corpos e necessidades e vão seguindo a correnteza, sem o exercício importantíssimo de refletir sobre o que têm feito e quem têm sido. A tríade ser-fazer-ter se confunde, se inverte e muitos tentam tudo para ter, esquecendo-se do exercício importantíssimo do ser e do fazer.

Por estarem tão cegas para si mesmas, acabam também ficando muito cegas para os outros e assim, se tornam incapazes de estabelecer relações genuínas, profundas e valiosas com os outros. Todos querem receber, poucos querem oferecer. Muitos vivem uma vida absurdamente pobre de sentimentos e experiências significativas, optando pela superfície. Na superfície de si mesmos e dos outros. 

Ao refletir sobre o tema das redes sociais, Yuval Harari diz que “Talvez as pessoas precisem mesmo é de ferramentas para se conectarem com suas próprias experiências”. Mas elas ficam absortas aos perfis e pessoas que seguem aqui e ali e se atém à experiência dos outros – que não necessariamente está expressa em sua verdade, competindo para parecerem mais felizes, mais afortunadas ou o que quer que seja.

“Pessoas separadas de seus corpos, sentidos e entorno físico sentem-se alienadas e desorientadas (…) Mas não são capazes de viver felizes se estiverem desconectados dos seus corpos. Se você não se sente em casa dentro do seu corpo, nunca se sentirá em casa dentro do mundo.”

A conexão às redes sociais e às pessoas que estão do outro lado do globo despende energia que poderia ser gasta para conhecer seu vizinho de porta. Não há problema algum em conhecer e interagir com pessoas em outras cidades, estados e nações, isso é maravilhoso. Mas muitas vezes, isso acontece às expensas de conhecer quem está do nosso lado. 

“Está mais fácil falar com meu primo na Suíça, mas está mais difícil falar com meu marido no café da manhã, porque ele está constantemente olhando para o seu smartphone e não para mim.” É preciso muito cuidado para que possamos usar todos os recursos tecnológicos de forma a promover nossas vidas e relações a patamares melhores. Devemos estar atentos aos nossos corpos, às nossas necessidades, às nossas mentes, ao nosso espaço interior. Aprofundar o nosso autoconhecimento, ampliar nossa consciência e abrir os olhos, a mente e o coração para relacionamentos que conectam de verdade.

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Cynara Bastos é psicóloga e inspiradora de pessoas, que tem como missão promover a autoconsciência, permitindo que os seres humanos reconheçam seus dons e que possam, por meio deles, gerar riqueza intelectual, espiritual e financeira.

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