PORQUE VOCÊ DEVE SUBIR UM VULCÃO NO DESERTO DO ATACAMA



1 outubro, 2020
Amor

Vendo umas fotos arquivadas, me deparei com essa: a da primeira (e por enquanto única) vez que subi um vulcão no Deserto do Atacama, em abril de 2018. E a partir dela me veio a recordação desse dia, que achei que valia a pena compartilhar…

 

Era um dia igual a muitos outros no deserto, o sol já estava a pino. Na primeira hora da manhã o Juan, nosso guia, começou a buscar o grupo, um a um. Ao todo éramos sete, contando com o Juan: cinco brasileiros, um suíço e um chileno. Paramos no caminho para um café reforçado e pra checar todo o equipamento que tínhamos que levar. Começamos a viagem de carro, 50 minutos até a base do vulcão.

 

Naquele momento, eu ainda lidava com o sentimento de frustração por ter que “trocar de vulcão” na última hora, já que o Lascar, meu primeiro objetivo, a primeira razão da minha viagem ao deserto – e um dos últimos sete vulcões ativos no Chile – estava há dias com alerta amarelo por conta de possíveis pequenas erupções. Não era seguro, então abortamos o plano A.

 

A decisão do guia foi por subir o Cerro Toco, que já está “dormindo” há algum tempo (eles não gostam de usar a palavra ‘inativo’, porque a qualquer momento a coisa pode cambiar por aqui).

 

Já na base, Juan – que era corredor de montanha do Racing The Planet de 250 km! – deu as instruções mais importantes. A primeira para o grupo: ou chegávamos juntos ao cume, ou voltávamos todos. Não havia terceira opção.

 

A segunda instrução eram quatro comandos na verdade. Focar na respiração, andar bem devagar, e se preocupar apenas com o próximo passo. Ah, e não falar nada, já que precisávamos economizar oxigênio (a cada mil metros de altitude perdíamos 10% dele).

 

Como se não bastasse, ele ainda completou: a primeira hora era a mais desafiadora e fundamental. O corpo estaria se acostumando. Se vencêssemos aquela etapa, nossa chance de chegarmos ao topo era boa. Subimos. Cinquenta e cinco minutos depois paramos pra descansar, comer chocolate e beber um pouco de água. Já estávamos a -4º, só que o vento ainda não tinha chegado a 80km/h, que parecia ser a média ali (mais tarde ele iria chegar a 120km/h!).

 

Seguimos pela parte mais íngreme do caminho, pedras e gelo. Como ele havia previsto (e a gente torcia), chegamos ao cume. Estávamos agora a 5.604 metros de altitude. O que corresponde a 40 metros acima do acampamento base do Everest. E com 55% menos de oxigênio.

 

Meu corpo estava quente, muito quente. Lá de cima podíamos avistar a Bolívia e a fronteira com a Argentina. A gente comemorou, abraçou, chorou, contemplou, registrou. E antes de descer, o Juan fez uma pequena reverência e disse “gracias, montañita”. E eu completei: “por nos permitir subir”.

 

Foram sete horas da aventura. areia até na alma. Deu um post, mas dava um livro.

 

______________________________

LUCIANA GALLO

Luciana Gallo é co-fundadora da Amadoria, facilitadora de processos colaborativos, de desenvolvimento pessoal, e de mudança organizacional. Mentora e palestrante, ajuda as pessoas a (re)significarem suas vidas e trabalhos. Atua na expansão do conhecimento e da consciência da pessoa e do profissional dentro das organizações e das comunidades.

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