O vazio é o lugar das possibilidades… all you need is less!



23 outubro, 2020
Bem estar

 

“Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede um pouco mais de alma

A vida não para…”

 

Hoje ouvi a música Paciência do Lenine e lembrei dos meus tempos de Recife me dando conta de alguns aspectos curiosos dos paulistas que só percebi estando afastada. Em São Paulo, não poucas vezes, quando alguém pergunta “tudo bem?” as pessoas respondem: “corrido”. Parece que estar ocupado ainda é sinônimo de sucesso. Não ter tempo é o estado natural das pessoas e, de alguma forma, motivo de orgulho.

Não posso negar a minha natureza paulista: a tendência de me sentir culpada no ócio, de estar sempre ocupada, fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Correndo sempre com a sensação de que a vida está me atropelando. Soa familiar pra você?

Esquecemos de parar para respirar, para viver. Não dá tempo! Ter brechas na agenda? Impossível… Dar um pouco de calma para a vida e um pouco de alma para o corpo? Nem pensar… Considerar a possibilidade do vazio na vida e na agenda? De jeito nenhum…

Só que os sentimentos precisam de espaço para ir e vir, e para fluir. Precisam de vazão e não de atropelo. No atropelo se confundem, e acabam por nos confundir também.

Tempo e liberdade são coisas que desejamos e muitas vezes, quando conseguimos, não sabemos o que fazer com eles! Temos pânico do vazio! Nos entupimos de atividades e obrigações, de forma que acabamos quase sufocados.

Por outro lado, a falta de tempo muitas vezes é nossa maior desculpa para tudo o que deixamos passar ou que não conseguimos dar a devida prioridade. Só que esquecemos de um detalhe: o tempo é nosso! E é igual pra todos! Todo ser que habita este planeta nesse momento, tem as mesmas vinte e quatro horas diárias.

E nessa constante “falta de tempo”, tenho chegado finalmente à conclusão de que para muitas coisas na vida – senão para quase todas – menos é mais.

Uma agenda com mais coisas que posso fazer… é desperdício. Um tempo todo preenchido é desesperador. Do espaço todo ocupado nada consegue nascer. O novo precisa do vazio para brotar. As idéias, a inspiração… também precisam de espaço para nascer.

O vazio é o lugar das possibilidades.

Muitas vezes nós precisamos parar para conseguir olhar, ouvir e sentir o que está ali bem na nossa frente todo dia. Mas estamos muito ocupados para perceber algumas obviedades, não é mesmo? Quantas boas ideias ainda não escapam por não pararmos para analisar? Quantas coisas são ditas e não escutadas? Quanta vida perdemos nessa “gincana”?

Relacionamentos também precisam de tempo e espaço, precisam do vazio, e não apenas de follow up. De conexão gradual, de convívio demorado, de “não-pressa”! O tempo livre nutre muita coisa.

O novo, a possibilidade, o espaço para a surpresa… Como fazer para achar tempo pra isso?

Talvez rever o que realmente é importante? Nossas crenças sobre ocupação vs. tempo livre? Talvez pensar se realmente precisamos fazer tudo que achamos que precisamos? Ouvir quando a vida pede um pouco mais de calma ou o corpo um pouco mais de alma?

Em São Paulo precisamos de disciplina para não nos deixarmos levar pelos excessos. De tudo. Principalmente de atividades que acabam fazendo o tudo parecer um grande nada.

“Cuidado com a vazio de uma vida ocupada demais” já nos alertava Sócrates.

Precisamos estar atentos para nos centrarmos quando preciso, estar inteiro quando necessário. Para poder ver, ouvir e sentir.

Não nos ocupemos demais de viver. Não gastemos toda a vida tentando ganhá-la. A vida é realmente o que acontece enquanto estamos ocupados. E, vale lembrar, é um recurso precioso, escasso e finito. Não podemos desperdiçá-la.

Ah, e se você ainda tiver um tempo… vale ouvir Lenine!

 

______________________________

 

PATA

Patricia Giglio, a Pata, é um conjunto de arranjos e combinações às vezes contraditório: uma esportista, ativa e instrutora de yoga . Consultora e facilitadora de processos de autoconhecimento, ajuda a desenvolver pessoas e equipes para que possam “empreender-se” melhor e serem mais inteiros e conectados consigo, com os outros e com o mundo.

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