Você me estressa!



26 maio, 2020
Bem estar

“Tá estressado? Vai pescar!”Essa frase sempre me intrigou muito, pois sempre achei pescaria algo muito estressante. Quando era criança, meu pai e meu tio levavam eu e minhas primas para pescar em uma lagoa na fazenda que ficava na cidade de Mariana, aqui em Minas. Às vezes íamos no início da manhã ou no início da tarde – sob o convencimento que eram nestes momentos que pescaríamos os peixes incríveis – mas você sabe que isso é história de pescador…

Ali ficávamos por algumas horas, em silêncio, olhando a linha parada sem nenhum movimento dentro da água. Essa cena parece incrível e relaxante. Para alguns. Eu sempre fui (e ainda sou) aquela pessoa que fala alto, tem o riso frouxo e gosta de fazer palhaçadas e perguntas. Pensando nisso, você pode imaginar a felicidade do meu tio em ter que ficar a cada cinco minutos falando “shhh” e pedindo para eu ficar quieta porque estava espantando todos os peixes. Pescar para mim era tão estressante!

Engraçado como o estresse é algo como a beleza, depende dos olhos de quem vê. Existe um tipo de beleza óbvia que não tem como negar, como por exemplo olhar para uma foto da Gisele Bündchen ou para uma paisagem de Fernando de Noronha – tem beleza ali e pronto. Quem concorda, respira! 😉

O estresse é bem semelhante, existe aquele nível em que você nitidamente sabe que está estressado, que já chegou no seu limite e nesse caso não precisa fazer nenhum teste ou exame para ter o diagnóstico. Porém, existem vários indícios e sintomas que vem devagarinho, e que você pode escolher ignorar ou fingir que está tudo bem, até chegar no nível óbvio (e mais alto) de estresse. Não podemos perder a consciência que habitamos um corpo e uma mente, e se passarmos uma vida sem perceber e entender os sinais que ambos nos enviam, estamos fadados a viver uma vida dormente.

Durante 11 anos da minha vida, trabalhei na área de Recursos Humanos em grandes empresas. Vi e ouvi inúmeros empregados se queixarem que estavam estressados, que a rotina estava pesada e que “fulano” estressava todas as pessoas ao seu redor, que o projeto X estava deixando toda a equipe estressada… a lista de “estressadores” nem caberia nesse texto.

Em boa parte desse tempo no corporativo me dediquei a desenhar programas e inciativas do RH para melhorar a qualidade de vida dos empregados. Eu acredito muito que as empresas exercitam um papel fundamental na vida de seus empregados e que programas assim são necessários e essenciais para um bom clima organizacional, e para fornecer ferramentas acessíveis para que o colaborador seja mais (e integralmente) saudável.

Mas ao implementar vários desses programas me deparava com um nível baixo de adesão por parte dos colaboradores e ainda muita reclamação de que a empresa precisava fazer mais iniciativas… mesmo quando as atuais não tinham tanta adesão!

Antes de tudo, entenda uma coisa: ninguém deve nada a você.

Então, se você hoje trabalha em uma empresa que possui um programa de segurança, de nutrição, grupo de corrida, descontos e parcerias com academias, clube de desconto, programa antitabagismo, alongamento e ergonomia, quick massage, grupo de apoio com psicólogos ou assistentes sociais, cursos de orçamento doméstico, pesquisa de clima, avaliação de desempenho, sessões de palestras e treinamentos para o desenvolvimento da inteligência emocional, saiba que são todas possibilidades que podem impactar a SUA qualidade de vida e que, antes de tudo, devem ser do SEU interesse porque melhoraram a SUA vida.

Por isso sempre quando escuto alguém falando que “tá muito estressado” eu sempre faço a seguinte pergunta: “já conseguiu identificar o que estressa você?” Parece uma pergunta simples… mas infelizmente não é.

Nós temos baixo repertório para falarmos de nós mesmos, e é sempre tão mais simples terceirizarmos as causas de nossos problemas e estresses. Eu sempre estou estressado porque alguém fez ou deixou de fazer alguma coisa, mas será que a minha saúde é de responsabilidade e interesse do outro? Será que estou escolhendo permanecer nesta situação estressante pois é um caminho que eu já conheço e nunca tentei diferente? Não falo que é uma situação de “conforto” pois não é. Mas às vezes temos tanto medo (ou preguiça) do desconhecido que optamos por permanecer assim, estressados.

Quem realmente quer sair do estado de estresse começa olhando para dentro e conversando consigo mesmo. Como falei antes, sabemos que existem sintomas muito sérios que precisam ser avaliados por médicos, e talvez mudanças drásticas e prescrições serão necessárias, porém isso acontece quando você já ignorou todos os indícios que seu corpo estava enviando quando a ansiedade ainda era pequena.

Reflita um pouco:
O que é estresse para mim?
O que sinto fisicamente no meu corpo quando me sinto estressado?
Que tipo de sentimento sinto quando estou estressado?
Existe algum gatilho, algum acontecimento externo que me leva para esse estado?
Como anda minha saúde física, meus relacionamentos, minha conta bancária, minha agenda e minha relação com a espiritualidade?
Existe algo que eu possa fazer sozinho para melhorar um pouco esse sentimento?
Existem ferramentas dentro da empresa em que trabalho que podem me ajudar?
Existe algo que eu gosto muito de fazer que sei que me deixa em estado relaxado e leve? Se sim, como posso incluir na minha rotina?

A solução não vem fácil, demanda tempo, reflexão e sinceridade. Não existe uma receita de bolo, já que as respostas para essas perguntas são únicas e intrasferíveis.

Se os fatores que levam um indivíduo a ficar estressado são diferentes e únicos para cada um, imagine então a solução para levar esse ser humano para um estado “não estressante”.  

Então, se possível, comece hoje a se conhecer. Olhe para o espelho e converse consigo mesmo. Isso não quer dizer que você está doido, quer dizer que você quer ser uma pessoa melhor.

Só assim você vai conseguir iluminar a causa raiz do seu estresse. E acredite em mim, a causa não é o fulano ou ciclano, ou o que beltrano fez. A causa raiz do seu estresse está atrás dos comos e porquês você reage aos acontecimentos chamados “vida”.

Depois de anos entendi porque a pescaria me deixava estressada. Eu traduzi esse meu fator de estresse por “situações onde eu não posso falar o que sinto me estressam”.

Ironicamente (ou não) durante toda minha vida me posicionei de uma forma onde o sentimento do outro era mais importante do que o meu. Sempre quis agradar o outro muito mais do que a mim mesma e como resultado disso desenvolvi um nível de estresse tão alto que evoluiu para uma doença autoimune. Depois de muitas conversas comigo mesmo, olhando para o espelho, hoje, quando me deparo com situações onde eu preciso calar a voz dos meus sentimentos, eu utilizo das soluções que eu criei e já não permito que isso cresça dentro da minha mente e coração.

Quais são essas soluções? Não faz sentido eu compartilhar, uma vez que eu sou um ser humano diferente de você. Mas uma coisa eu digo: a solução está na simplicidade que evitamos encarar. Tem a ver com a sua alimentação, a quantidade de atividade física que você faz, como você organiza seu tempo e dinheiro, o comprometimento com um hobby e desenvolvimento da espiritualidade.

Tá estressado? Se conheça melhor e depois vai ______  … (complete a frase com algo que você descobrir sobre você após ler esse texto).

______________________________

Bárbara Damasceno é administradora de empresas e especialista em Recursos Humanos. Atuou durante quase 11 anos em empresas (multi) nacionais e atualmente é responsável pelo desenvolvimento de novos negócios da Amadoria para Empresas, além de desenhar vivências de aprendizagem e facilitar experiências de desenvolvimento pessoal e profissional.

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