Sobre construção e desconstrução



27 novembro, 2020
Autoconhecimento

A vida é curiosa. Passamos uma boa etapa dela construindo ideias, crenças, saberes, opiniões, pensamentos, que depois temos que, de alguma forma, desconstruir. Questionar nossas verdades faz parte do pacote da vida. Aprender que as coisas não são sempre isso OU aquilo, mas geralmente isso E aquilo.

Fato: somos compostos de verdades muitas vezes opostas, a vida nem sempre é preto no branco. Tem uma paleta de cores rica e diversa entre essas duas aí.

Depois de ser um criança um tanto rebelde me tornei uma pessoa adulta bastante adaptável: a ambientes, pessoas e situações. Isso me demandou muito esforço e dedicação. E um dia de repente ouvi: “o mundo quer sua espontaneidade, quer você sendo você”. Isso deu um nó na minha cabeça! Como mesclar ser eu, ser espontânea e verdadeira e ainda assim estar integrada no mundo que muitas vezes não é como eu?

Vivemos na época da aceitação da diversidade. E quem já experimentou viver e trabalhar com ela sabe que não é fácil, mas é absolutamente rico. Além de demandar o respeito pelo diferente, a diversidade precisa que eu abra mão da necessidade que tenho de doutrinação do outro. Precisa que eu exerça a verdadeira inclusão, e a criação de modelos mais amplos e complexos.

Acho que aprender a viver na diversidade, entender que a vida em sua maior parte não é uma questão de “isso OU aquilo” e sim de “isso E aquilo”.

Abraçar a diferença dá trabalho, é fato. Mas também é algo que não podemos adiar mais. Porque é dela é dela que vem a evolução. É do conflito saudável que caminhamos para um futuro melhor.

Precisamos sim, estarmos munidos e repletos da nossa essência única, ao mesmo tempo em que trabalhamos nossa maleabilidade e abertura. Nos ajustarmos sem nos perdermos, sem perdermos nossa autenticidade. Se dar sem se perder! Se moldar sem se desconfigurar. Ter maturidade e sabedoria para entender o que posso flexibilizar e o que não. O que é negociável pra mim.

Abra-se para o que você inicialmente não enxerga ou não acredita, dê ao outro o benefício da dúvida. O que nos trouxe até aqui, enquanto coletivo, não necessariamente é o que nos levará daqui em diante. Precisamos esvaziar a xícara do que sabemos para abrir espaço para o que precisamos aprender.

Hoje se Shakespeare me dissesse “ser OU não ser eis a questão”, eu diria: “ser E não ser”, eis a resposta. Porque o mundo não é mais preto no branco, graças a Deus. E a cabeça é redonda, para permitir o pensamento mudar de direção!

 

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PATA

Patricia Giglio, a Pata, é um conjunto de arranjos e combinações às vezes contraditório: uma esportista, ativa e instrutora de yoga . Consultora e facilitadora de processos de autoconhecimento, ajuda a desenvolver pessoas e equipes para que possam “empreender-se” melhor e serem mais inteiros e conectados consigo, com os outros e com o mundo.

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